Bom, hoje quero continuar um pouco sobre a poesia da maternidade.
Quando fiquei sabendo que teria um bebê, a minha preocupação era em saber como a pegaria no colo, como seria a amamentação e como trocaria a fralda, afinal ele nasceria pequeno, sem saber de nada da vida. Eu teria que ensinar tudo a ele: A comer, a andar, a falar..
E apesar de ouvir tanto sobre as noites sem dormir, as eternas trocas de fraldas e dos choros, acho que esqueceram de me contar algo muito importante sobre a maternidade.
A primeira descoberta:
Durante a gravidez eu estava bem preocupada. Eu não tinha o menor jeito com bebê, pois eu mal segurava umno colo, quem dirá um recém-nascido! A ultima fralda que eu tinha trocado era dos meus irmãos (gêmeos),e quando a Luana nasceu, eles já tinham 23 anos!!!!! Eu me sentia muito insegura, com medo de não acordar se a Luana chorasse ou de não interpretar os choros dela, ou de não ser uma boa mãe.
Então se passou a gravidez e chegou o tão esperado dia, a Luana chegou ao mundo!
Eu estava na sala de cirurgia, o pediatra me mostrou um pacotinho sujo de cabelo loiro e que chorava muito. Era a coisinha mais interessante que eu já vi na minha vida. Ela abriu um choro que deu orgulho. Colocou os pulmões pra funcionar bem rapidinho! Então o pediatra se aproximou com ela no colo e colocou o rosto dela no meu. Eu não consegui abraça-la, então como eu não sabia como reagir numa situação dessas, eu disse: - “Oi bebê, é a mamãe..”. O choro sessou. Silêncio total. Ela se sentiu protegida.
Foi ali, bem ali, que todo meu medo foi embora. Eu não tinha mais medo de ter um bebê chorão, ou uma criança birrenta, ou uma adolescente rebelde. Senti como se eu pudesse viver e morrer por ela. Senti como se naquele momento um pouquinho da Marina tivesse ido embora e, naquele exato momento, nasceu UMA MÃE.
A segunda descoberta:
Até um tempinho atrás, quando a Luana tinha uns 9 ou 10 meses, eu ainda acreditava que eu teria que ensinar tudo pra ela. Bem, a verdade é que quase tudo eles imitam e a outra parte da verdade é que essas crianças de hoje em dia só não nascem falando. Eles aprendem sozinhos! Mas não é isso que quero dizer aqui, até porque já não é segredo nenhum! rss
Estive refletindo sobre o nosso dia-a-dia, em que nos percebemos no “automático”, fazendo tudo muito rápido, sem olhar para os lados, sem engolir o café direto. Estamos preocupados, pensando em duas horas ou dois dias a frente do nosso tempo. Estamos ansiosos vivendo no futuro, como se tudo desmoronasse caso se perdermos algum compromisso ou chegarmos atrasado.
De uns tempo para cá, comecei a analisar o desenvolvimento da Luana. Ela vive no presente. As preocupações dela são sobre o que ela está fazendo naquele exato momento, a forma que ela descobre o mundo, o olhar brilhante diante de uma novidade, a graça que ela acha nas coisas mais simples. Ela anda devagar, com suas perninhas curtas, de um jeito bem lento, olhando tudo ao redor.
Estes dias nós duas fomos dar uma volta ao redor do prédio. Uma coisa tão simples para nós, mas para ela aquilo era importante. Ela parava para cada folha no chão que ela encontrava. Ela apontava para o muro, para as arvores, par as crianças, para os carros. Ela estava ali presente, admirando e analisando tudo que via, sem a menor preocupação, sem a menor pressa.
Quando foi que nós deixamos de ser crianças?
Cada mais eu descubro que não! Ela não nasceu para aprender comigo. Ela nasceu para me ensinar de novo, para resgatar aquilo que guardei dentro de uma gaveta achando que não precisaria mais. Saber viver o presente é uma dádiva tão rara. O quanto temos que aprender com estes pequenos? Com certeza eles estão mais próximo de Deus do que qualquer outra pessoa que se julga tão importante diante do mundo.
Se ela precisa ser parecida comigo? Não, eu que quero me parecer com ela.
Parando, respirando, admirando: Foi assim que eu descobri o maior segredo (e a poesia) da maternidade.
E termino mais um post com um vídeo da Luana com dois meses de vida. Aqueles dias me marcaram muito, pois foi quando ela começou a rir. Existe amor mais lindo?
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